The Knurd Project

Knurd Report JCast Café com Gundam Drunk Report

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Knurd Report #56b

14/06/2019 03:39 • Download

00:02:32 Godzilla: King of the Monsters
00:54:32 Dark Phoenix
01:09:41 The Twilight Zone

Featuring music: Oreia - Ostentação e Oreia - 14

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Knurd Report #56a

07/06/2019 00:59 • Download

00:05:50 Ainori
00:48:08 John Wick: Chapter 3 – Parabellum

Featuring music: 椎名林檎 - 鶏と蛇と豚 e Hot e Oreia part. Djonga - Eu Vou

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Knurd Report #55c

30/05/2019 21:00 • Download

00:01:26 Aladdin
00:28:28 Discovery

Featuring music: Adriana Calcanhotto - Lá Lá Lá e Letrux - Ninguém Perguntou Por Você

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Em retrospecto, algumas horas mais tarde, Gabriela se daria conta de que a sensação do ar em seu rosto era estranha, artificial, um eco que não condizia com a época do ano nem com a localização de sua casa. Além do mais, apesar da certeza de que estava em pleno dia, tentando recordar aquele momento ela se dava conta de que poderia muito bem ser de noite, ou durante o crepúsculo, e pra falar a verdade ela nem conseguiria precisar ao certo se tinha de fato saído da casa… Era como se a certeza se esvaísse no momento em que se manifestava, e uma solidão imensa tomou conta de sua alma, uma sensação de desamparo e temor, e ela quis voltar.

Os sons dos carros passando e suas luzes ofuscando seu rosto, refletindo o sol ou a lua ou as luzes dos postes, ela não tinha certeza, pois o tempo passava acelerado em torno de si, como se estivesse presa em um daqueles vídeos de timelapse que Valéria adorava mostrar-lhe nas horas mais inoportunas, deixava-a mais confusa do que segura; O céu tingia-se de uma miríade de tons, dos mais claros aos mais escuros, e as luzes da cidade acendiam e apagavam enquanto o sol se revezava com a lua e as nuvens bailavam mudando de forma, dobrando-se e dissolvendo-se em si mesmas. Quando assistia a esses vídeos, Gabriela sempre pensava nas vidas que começavam e acabavam naqueles cenários, durante o que para o espectador não passavam de meros segundos, em que se podiam admirar com atenção belezas naturais banais que a limitada percepção sensorial humana deixava passar. E Gabriela naquele instante pensava no quão enganada e extremamente infectada estava sua percepção da realidade, agora que nem ao menos conseguia diferenciar o exterior do interior.

Ela pontuou cada palavra mental com uma nota de desdém e vergonha por mais uma vez considerar o impossível apenas improvável… engoliu seco, repentinamente mais calma, agora que tomara a decisão de voltar pra casa. Claramente procurar Valéria fisicamente em algum lugar seria uma viagem tão louca quanto cheirar Ketamina e sair para pagar contas. Ela lentamente virou-se e pôs-se a caminhar em direção a casa, percebendo com susto e alívio que não havia trancado a porta, o que seria perigoso naquele bairro, mas pelo menos não precisaria perder mais tempo procurando pelas chaves. Era engraçado que tivesse medo de ladrões físicos quando estava sendo roubada no plano espiritual, e assim sendo se conformava por ainda ter uma porta, e era nisso que pensava enquanto entrava e já não pisava no seu felpudo tapete de boas vindas produzido na forma do logo da Resistência de Star Wars. Enquanto sentia luto pela perda do item, se perguntava se por acaso ficaria sem a casa em si, se o teto sumiria e todas as paredes e se a própria terra debaixo de seus pés desapareceria; qual era o critério afinal? O imóvel era alugado, mas o dinheiro do aluguel não era totalmente adquirido por meios legais… isso entraria nas regras? Qual seria o código moral de um demônio Robin Hood?

Gabriela fechou a porta, que ainda estava ali, e se perguntava se alguma parede já teria sumido, ou então a privada, quando vários quadros desapareceram um por um da parede diante de si, trazendo a um aparente fim a terrível maldição. Eram os últimos objetos e tudo o que agora restavam eram algumas pequenas peças da mobília original de Gabriela, que costumava conter vários móveis, antes de terem sido descartados para dar lugar ao proibido.

Gabriela sentou-se no meio do chão e abraçou as próprias pernas, ali permanecendo num catártico estupor, sem forças para acreditar no problema, tampouco para refutá-lo. Talvez ali ela estivesse alcançando um nível espiritual muito almejado por diversos sábios e yogis: talvez ela fosse a personificação da resiliência, o bambu que dobrava ao vento, mas não quebrava,

Knurd Report #55b

24/05/2019 19:17 • Download

00:02:00 Game of Thrones
01:17:10 Pokémon Detective Pikachu
01:59:32 Survivor

Featuring music: Rico Dalasam - Braille e Carne Amarga - Comida Doce

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Knurd Report #55a

08/05/2019 15:33 • Download

00:09:12 Avengers: Endgame

Featuring music: Francisco, El Hombre - CHÃO TETO PAREDE :: pegando fogo e Francisco, El Hombre - CHÃO TETO PAREDE :: pegando fogo

Knurd Report #54d

30/04/2019 22:43 • Download

00:01:45 Desabafo do Laivindil
00:23:10 The Chilling Adventures of Sabrina - Season 2

Featuring music: Blaya - Faz Gostoso e Ariana Grande - 7 Rings

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A situação era tão surreal que talvez pudesse estar sonhando. Ultra lúcido sonho, mas ainda assim era uma possibilidade. Tinha aquele filme rotoscopiado que vira certa vez, e com ele aprendera sobre a impossibilidade de focar em pequenas coisas quando se está sonhando, como ler mensagens, por exemplo, ou apagar e acender as luzes. A teoria do sonho fora refutada, porém, pois estava nesse momento checando seu celular atrás de mensagens novas no Whatsapp; Nunca se utilizara muito das redes sociais para nada além de trabalho, e não havia novas mensagens de Valéria; Tudo bem que sua vista entrava e saía de foco levemente enquanto deslizava o touchscreen atrás do número da amiga, mas isso não prova definitiva de que estava na verdade alucinando enquanto dormia naquele finíssimo tapete tigrado brega comprado com o dinheiro de um candelabro muito mais bonito que Valéria decidira não ser irônico o bastante para a decoração do apê e que por isso deveria ser vendido ao invés de mantido.

Gabriela pressionou o contato de Valéria e logo o telefone começou a chamar; O estranho era que Gabriela podia ouvir o toque do celular da amiga ali mesmo no cômodo, talvez por estar tão familiarizada com aquela música que costumava ser boa quando a ouvira ser cantada pela Beyonce meses atrás, porém agora se tornara irritante devido ao número de ligações que Valéria recebia o tempo todo. Admiradores ou clientes, todos ganhavam a mesma música, pois Valéria dividia com Gabriela a preguiça com configurações de equipamentos eletrônicos. E então o telefone chamava mais vezes e caía na caixa postal, e Gabriela repetia a ligação, o corpo todo trêmulo, a pressão baixando, as palmas das mãos suadas atrapalhando o manusear do telefone, as pernas doídas devido a posição pouco cômoda em que se abaixara e que só não trocava por não ter se dado conta da dor, tão estressada estava por não conseguir completar a ligação e não parar de ouvir o toque irritante do telefo…

Ela encarava lívida o iPhone 5 de tela rachada clichê que Valéria possuía por achar charmoso e kitsch, depositado em cima da cômoda logo a sua frente. Sentia-se absurdamente estúpida por não ter percebido antes que o toque que pensava ouvir em suas memórias acontecia literalmente naquele mesmo cômodo. Rindo por dentro, bufando por fora e, ao se levantar e perceber a lancinante dor em seus joelhos e panturrilha, sibilando intempéries aos deuses, ela foi até o telefone, e cada passo trazia mais lucidez, e com mais lucidez vinham prioridades mais urgentes tais como o paradeiro de Valéria e uma explicação para ter abandonado ali seu precioso telefone.

Foi então que Gabriela estendeu a mão para pegar o telefone e seus dedos se fecharam no ar. Seu punho estava cerrado segurando absolutamente nada e por meio segundo Gabriela sentiu-se ligeiramente confusa, perguntando-se porque o telefone não aparentava estar em sua mão, já que claramente ele estava naquela cômoda. Foi então que esse meio segundo passou e sua ligeira confusão fora promovida; pois o telefone não estava mais em cima do móvel e não se via nem mesmo o pouco de poeira que provavelmente se acumularia embaixo dele. Era como se houvesse desaparecido no ar, já que Gabriela lembrava com clareza de Valéria colocando o aparelho ali em cima na noite anterior e dizendo que ali ele ficaria, pois não queria se distrair com eletrônicos durante essa celebração. Aparentemente era um grande desperdício gastar alguma onda alucinógena na timeline do Facebook.

“Eu estou mesmo alucinando”, realizava Gabriela, tanto a música da Beyonce como o telefone em si, e então cambaleou ligeiramente para trás, sentindo um zumbido nos ouvidos, como microfonia, e se dando conta de que talvez ainda restassem no sangue traços da droga que

Knurd Report #54c

18/04/2019 22:31 • Download

00:03:00 Shazam!
00:38:45 DC Extended Universe

Featuring music: Joyce Moreno - Canoeiro e Cristina Buarque - O Morro do Sossego

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Knurd Report #54b

12/04/2019 01:09 • Download

00:06:26 Us

Featuring music: Joyce Moreno - Maricotinha e Joyce Moreno - Fiz uma Viagem

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Knurd Report #54a

05/04/2019 01:39 • Download

00:09:35 The OA
00:30:24 Twilight Zone
00:47:30 Anarquismo e o que fazer

Featuring music: Los Hermanos - Corre Corre e Pink Floyd - Lucifer Sam

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Knurd Report #53c

28/03/2019 22:40 • Download

00:01:06 Survivor: Edge of Extinction
00:28:07 Umbrella Academy
00:48:19 Russian Doll

Featuring music: Harry Nilsson - Gotta Get Up

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Aquele primeiro roubo fora amedrontador e excitante. Sabe aquela adrenalina que atravessa queimando o caminho por onde passa? Aquele raro e acentuado sabor que têm as coisas verdadeiramente proibidas? De tudo o que era objetivamente criminoso, sem duplas interpretações e cujas consequências eram reais e potencialmente terríveis? Elas poderiam muito bem ter sido presas. – O que fora levado naquela noite? – Ela nem conseguia se lembrar… Algumas joias, talvez… Algo que imaginavam possuir alto valor financeiro no mercado e quase nenhum emocional para o (ex) dono. Algo que não faria diferença para ele ou ela… Além do mais, elas não precisariam fazer isso pra sempre. Era essa a sensação, não era? Era aquela a tal convicção que pulsava no compasso frenético do coração de Gabriela. Não tinha que ser pra sempre. Era só pagar algumas dívidas. Alcançar o Nirvana. Abrir os chakras. Como é que Nero tinha explicado? Enfim… Se divertir um pouco com Valéria, claro. Era o principal. Os melhores momentos eram quando … que som era aquele? Era ritmo compassado, uma batucada agressiva e estonteante, mas surda e distante, como se estivesse abafada por algodão nos ouvidos. Ok, ok, não importa. Valéria, era por ela, era tudo por ela no fim… mas que porra é essa?

Era o imbecil do Nero. O Nero era um cara que só chegou depois, sabe. Ele se encontrava parado alguns passos adiante, posando pretensioso rodeado de luzes neon de todas as tonalidades, sua silhueta delimitada por uma intensa luz que, apesar de clara e vibrante, trazia a tona aquela sensação sombria do perigo que você sente num beco sem saída no meio da madrugada, dois reais amassados e um celular descarregado no bolso. Aquela sensação teria a ver com o lugar, ou com as lembranças a ele associadas? Gabriela entendia o motivo pelo qual sua mente a transportava para aquele momento no tempo; Enquanto celebrava o fim de tudo, ela viaja através dos começos.

E pelo menos agora o som perdia o abafamento, enquanto Gabriela se abria para a experiência e permitia que aquele reflexo de seu passado se tornasse mais real. A musica aumentara de repente de volume, uma onda de som violando seus tímpanos, uma batida perfeitamente desenvolvida para despertar em cada ser humano suas necessidades sexuais mais primitivas. E Gabriela percebeu que se movia, estava rebolando, ela descia sensualmente até o chão e voltava empinando a bunda, e ela trazia pendurada numa alça através de seu corpo uma caneca de plástico vazia, tirando finalmente uma folga depois de horas sendo preenchida e esvaziada com literalmente qualquer líquido gratuito e alcóolico que ela pudesse encontrar. Seu cabelo estava solto e suado, grudado na testa e no pescoço, e ela usava uma camiseta apertada que deixava uma parte de sua barriga de fora e isso não a incomodava. A bunda coçava com o suor e tudo piorava por causa daquele shortinho curto péssimo que Valéria vinha há anos insistindo que experimentasse, e ela fez isso sem pestanejar, pois naquela noite decidira que seus pulsos não estariam atados por nenhuma amarra social. Ela diria “sim” a qualquer coisa que Valéria propusesse, pois Valéria trazia de brinde toda a segurança de que Gabriela precisava. A pessoa mais aleatória e caótica que conhecia era também a única cujas atitudes ela conseguia prever; Valéria era um defeituoso, porém bem intencionado sistema de navegação para o revoltoso e malicioso oceano da vida real.

Ela se lembra de então virar na garganta umas cinco doses de tequila antes de entrar no imenso galpão onde as luzes piscavam e a dignidade humana não entrava, e logo sentir o efeito intenso do álcool no seu organismo de recém-usuária se misturando com a pressão baixa gostosinha fornecida por tabaco e maconha. O desmaio iminente era adiado